Um dia na praça da Sé
Um dia na Praça da Sé: entre torres, história e o coração de São Paulo
Registro de um passeio pelo centro histórico paulistano
Tem lugares em São Paulo que parecem resumir a cidade inteira em um único cartão-postal. A Praça da Sé é um deles. Cheguei por ali em um fim de tarde de céu limpo, quando o sol ainda batia de frente na fachada da Catedral Metropolitana, deixando as torres com aquele tom dourado que só o horário certo consegue entregar.
A praça, com seus canteiros floridos, palmeiras e a fonte que corta o chão de pedra portuguesa, funciona quase como uma sala de estar a céu aberto para quem circula pelo centro histórico. De um lado, prédios antigos que contam décadas de história arquitetônica da cidade; do outro, a imponência gótica da Catedral se impondo contra o céu.
Voltei no dia seguinte, dessa vez sob um céu mais nublado, e a paisagem ganhou outra atmosfera: as torres verdes da cúpula se destacando contra as nuvens, o chuveirinho da fonte ainda ligado e a praça bem mais vazia, quase silenciosa para os padrões do centro paulistano.
Uma curiosidade sobre a construção
O que poucos sabem é que o edifício que vemos hoje não é a primeira igreja erguida naquele terreno. Antes dele existiram outras duas versões da Sé, e a construção do templo atual, projetado pelo engenheiro alemão Maximilian Hehl, levou décadas para ficar pronta: as obras começaram ainda no início do século 20 e a inauguração oficial só aconteceu em 25 de janeiro de 1954, durante as comemorações dos 400 anos de São Paulo — e mesmo assim, sem as famosas torres, que só foram concluídas mais de uma década depois. Outro detalhe curioso é que sua cúpula, de inspiração renascentista, teria sido influenciada pelo domo da Catedral de Florença, um contraste interessante dentro de um edifício predominantemente neogótico.
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